Plataforma de phishing como serviço com interceptação de MFA em tempo real e abuso de OAuth
Uma plataforma de phishing alugada por assinatura que não tenta adivinhar o código de autenticação: ela o repassa em tempo real ao serviço legítimo e fica com o cookie de sessão. Este relatório reconstitui a cadeia de entrega, as camadas de evasão, o relé do segundo fator e a pivotada para abuso de fluxo OAuth ocorrida após a desarticulação de março de 2026, e define o que caçar em uma rede corporativa e acadêmica cuja identidade é federada.
O Tycoon 2FA não quebra a autenticação multifator, ele a terceiriza para a própria vítima. Um proxy reverso entrega ao usuário uma cópia fiel da tela de login e repassa cada campo ao serviço legítimo, devolvendo a resposta real, inclusive o desafio de segundo fator. Concluído o desafio pelo usuário, o operador fica com o cookie de sessão já autenticado [1].
Consequência para a resposta: trocar a senha não encerra o acesso do atacante, porque a sessão roubada vale por si. A contenção começa por revogação de sessão e de token.
Consequência para a detecção: nada é gravado na estação. Não há binário, chave de registro nem hash a bloquear. A evidência vive nos logs de autenticação do provedor de identidade (seção 09).
O Tycoon 2FA é uma plataforma de phishing como serviço, ou PhaaS (Phishing-as-a-Service), dedicada ao roubo de credenciais e de sessões do Microsoft 365 e do Google. Foi descoberta pela equipe de pesquisa da Sekoia em outubro de 2023, já em operação desde pelo menos agosto do mesmo ano [1]. A Microsoft rastreia o grupo que a desenvolve e opera sob a designação Storm-1747 [2].
A técnica central é adversary-in-the-middle (AiTM). Diferentemente do phishing clássico, que armazena a senha digitada e nada mais pode fazer diante de um segundo fator, o kit intermedia a sessão inteira: relaia as credenciais ao servidor autêntico, apresenta ao usuário o desafio real de segundo fator e, quando este é concluído, captura o cookie de sessão emitido [1]. O que o operador leva não é uma senha, é uma sessão viva.
A escala é industrial. A Microsoft mediu dezenas de milhões de mensagens por mês alcançando mais de 500 mil organizações, com educação nomeada entre os setores alvo, ao lado de saúde, finanças, terceiro setor e governo [2]. A infraestrutura da Digital Crimes Unit da Microsoft, em conjunto com a Europol e parceiros do setor, desarticulou a plataforma em março de 2026 [2].
A desarticulação não encerrou o problema, e é por isso que este relatório existe. Em abril de 2026, a equipe de resposta da eSentire documentou a operação de volta, com uma mudança de técnica relevante: em vez de proxy reverso, abuso do Device Authorization Grant do OAuth, no qual a vítima autentica em infraestrutura genuína da Microsoft e entrega o token ao atacante sem jamais visitar uma página falsa [3]. A seção 07 trata dessa variante em separado, porque ela derrota controles desenhados para a variante de proxy.
As recomendações se organizam em duas frentes. A detecção (seção 09) parte de logs de resolvedor e de proxy, os mais baratos, e converge para os logs de autenticação do provedor de identidade, que são a fonte de maior valor neste caso. A resposta (seção 10) inverte a ordem habitual de contenção, porque aqui a revogação de sessão precede a troca de senha.
Não houve submissão a sandbox nem análise de amostra em laboratório próprio. Todo o conteúdo técnico deste documento provém das referências [1] a [8], que são publicações de equipes de pesquisa de ameaças. Não trate nenhuma afirmação daqui como prova pericial de um incidente local: elas descrevem o kit tal como observado por terceiros, em campanhas que não são a sua. O que o documento oferece é hipótese de caça e desenho de controle, não laudo.
Não use este relatório para atribuir um incidente ao Tycoon 2FA sem confirmação própria. A técnica AiTM é comum a várias plataformas concorrentes, e a seção 08 descreve uma campanha contra universidades que usou ferramenta diferente [8].
| Campo | Valor |
|---|---|
| Tipo de objeto | Plataforma de phishing como serviço (PhaaS) |
| Nome | Tycoon 2FA, também grafado Tycoon2FA |
| Operador | Storm-1747, designação da Microsoft [2] |
| Parentesco | Painel e entrega de PHP comuns ao kit Dadsec, sob o mesmo guarda-chuva [5] |
| Ativo desde | Agosto de 2023, descoberto em outubro de 2023 pela Sekoia [1] |
| Estado | Infraestrutura desarticulada em março de 2026; operação ativa em abril de 2026 [2] [3] |
| Serviços alvo | Microsoft 365 e Google Workspace [1] [2] |
| Técnica central | Adversary-in-the-middle por proxy reverso, com relé de segundo fator [1] |
| Comercialização | Assinatura por Telegram, a partir de US$ 120 por dez dias [1] |
| Hashes de amostra | n/d |
O objeto é uma infraestrutura de serviço, não um arquivo. O conteúdo servido ao navegador da vítima é gerado dinamicamente, com nomes de recurso pseudoaleatórios e ofuscação que muda a cada versão [1] [4]. Não peça um hash à equipe de operação nem espere casamento em antivírus ou EDR, porque não existe artefato estável a comparar. Os indicadores acionáveis são padrões de URL, padrões de comportamento de autenticação e a telemetria de identidade, listados na seção 11.
O phishing tradicional é um formulário morto: ele copia a aparência da tela de login, guarda o que foi digitado e devolve uma mensagem de erro. Diante de autenticação multifator, ele falha, porque o código de uso único expira antes que o operador possa aproveitá-lo. O AiTM (Adversary-in-the-Middle) resolve esse problema do atacante colocando um proxy reverso vivo entre a vítima e o serviço legítimo [1]. A sequência é a seguinte:
O cookie de sessão é um comprovante de autenticação já concluída. Ele não é validado contra a senha a cada requisição. Por isso, redefinir a senha da conta comprometida deixa o atacante dentro da sessão, e a equipe de resposta acredita ter contido um incidente que segue em curso [1].
A ação que efetivamente corta o acesso é a revogação das sessões e dos tokens de atualização da conta, antes ou junto da troca de senha. A ordem importa: revogar depois de trocar a senha ainda funciona, trocar a senha sem revogar não funciona.
Isso reordena a hierarquia de controles. Segundo fator por notificação por envio, por senha de uso único em aplicativo e por SMS são todos relaiáveis, porque o usuário os conclui de boa-fé contra um desafio autêntico [1]. O que não é relaiável é a autenticação vinculada à origem, ou seja, chaves de segurança e senhas-chave em FIDO2 e WebAuthn, nas quais o navegador se recusa a assinar para um domínio que não é o registrado. A seção 10.4 desenvolve essa recomendação.
O Tycoon 2FA não é operado por quem o escreve. É alugado. A Sekoia identificou a divulgação por canal de Telegram, sob os apelidos Tycoon Group, SaaadFridi e Mr_XaaD, com preço a partir de US$ 120 por dez dias de operação, mais caro conforme o domínio de topo escolhido [1]. O assinante recebe páginas prontas e modelos de anexo de e-mail, sem precisar entender nada do que compra.
A análise da carteira de bitcoin atribuída ao operador registrou cerca de 700 transações recebidas, somando mais de US$ 250 mil desde agosto de 2023, o que sugere várias centenas de assinaturas vendidas no período [1]. Entre agosto de 2023 e fevereiro de 2024, a mesma equipe catalogou mais de 1.200 nomes de domínio associados à plataforma [1].
Esse modelo tem uma consequência defensiva direta: não existe um adversário com um alvo. Existem dezenas de assinantes simultâneos, cada um com sua lista de destinatários e seu pretexto. A sua instituição não precisa ser interessante para ser atingida, basta constar de uma lista comprada.
A pesquisa da Trustwave SpiderLabs, hoje publicada sob a marca LevelBlue, documenta sobreposição de infraestrutura entre o Tycoon 2FA e o kit Dadsec, indicando linhagem comum de desenvolvimento sob a mesma operação [5]. As evidências reunidas foram:
res444.php para cllascio.php e .000.php até março de 2025;.ru.Em 4 de março de 2026, a Microsoft publicou o balanço da operação conduzida pela sua Digital Crimes Unit em conjunto com a Europol e parceiros do setor, que derrubou a infraestrutura e a operação do Tycoon 2FA [2]. O mesmo documento registra a escala interrompida: dezenas de milhões de mensagens de phishing por mês, alcançando mais de 500 mil organizações, com educação entre os setores nomeadamente atingidos.
Menos de dois meses depois da derrubada, a equipe de resposta da eSentire observou a operação ativa de novo, com técnica trocada [3]. Não retire controles nem rebaixe a prioridade de alertas de phishing de identidade com base na notícia da desarticulação. Em ecossistema de PhaaS, derrubar a plataforma remove o fornecedor, não a demanda: os assinantes migram para kits concorrentes em dias, e a técnica AiTM permanece disponível em ferramenta de código aberto, como mostra a campanha da seção 08.
A entrega é deliberadamente variada, e nenhuma das formas depende de anexo executável. A Microsoft catalogou as seguintes iscas em campanhas do kit [2]:
O passo seguinte quase nunca aponta para o domínio do kit. A cadeia atravessa serviços legítimos que nenhuma instituição bloqueia por reputação, entre eles Azure Blob Storage, Firebase, Wix, TikTok, recursos do Google e Cloudflare Workers [2]. Na campanha de abril de 2026, o primeiro salto foi uma URL de rastreamento de cliques do serviço Trustifi, seguida de um subdomínio em workers.dev [3].
Os subdomínios do kit vivem de 24 a 72 horas e giram por topos baratos como .space, .email, .solutions, .live e .today [2]. Não construa a defesa em torno de uma lista de domínios a bloquear: quando o indicador chega ao seu resolvedor, ele já morreu. Este é o oposto do que vale para um domínio de comando e controle estável, e a confusão entre os dois casos consome tempo de equipe sem reduzir risco.
Os domínios da seção 11 servem para caça retroativa em log arquivado, para datar uma exposição. O controle prospectivo eficaz é o da seção 10.4, que age sobre a autenticação e não sobre o nome.
Antes de exibir qualquer tela de login, o kit submete o visitante a uma triagem. A finalidade não é enganar o usuário, e sim impedir que analistas e rastreadores automáticos vejam a página. A Cybereason documentou a sequência em estágios [6]:
O desafio de CAPTCHA que abre a cadeia começou como Cloudflare Turnstile, com a frase de espera “this page is running browser checks to ensure your security” [1]. Em 2025, o kit migrou para CAPTCHA próprio, desenhado em canvas HTML5, com caracteres, ruído e distorção aleatórios, justamente para deixar de exibir o elemento de terceiro que permitia às equipes de defesa identificar a página por impressão digital [4].
A ofuscação da mesma versão de 2025 merece registro pela originalidade, porque ela derrota busca por padrão em texto [4]:
U+FFA0) para o bit zero e o Hangul Filler (U+3164) para o bit um;navigator.webdriver, PhantomJS, Burp Suite, atalhos de ferramentas de desenvolvedor e o tempo de abertura do depurador, e redireciona para rakuten.com quando suspeita de análise.Uma URL suspeita que devolve página inofensiva ao analista não está limpa, está fazendo o seu trabalho. O redirecionamento para um site legítimo é comportamento documentado do kit diante de ferramenta de análise [4] [6]. Repita a verificação a partir de saída residencial e com navegador real antes de fechar o chamado como falso positivo.
Vencida a triagem, o visitante recebe uma réplica da tela de autenticação da Microsoft, já preenchida com o seu endereço de e-mail, extraído da URL em texto claro ou em base64 [1] [6]. O preenchimento prévio é detalhe de engenharia social relevante: ele elimina a etapa em que o usuário costuma reparar no endereço do site, porque a página parece uma continuação de sessão e não um login novo.
A partir daí, a página abre uma conexão WebSocket com o servidor do operador e passa a operar como intermediária [1]. A Sekoia documenta que o estágio de relé suporta as três formas usuais de segundo fator:
Concluída a autenticação, a vítima é redirecionada para um destino que reforça a impressão de normalidade, tipicamente login.microsoftonline[.]com/common/SAS/ProcessAuth ou um site de fachada [1]. Do ponto de vista do usuário, nada falhou, e é por isso que este ataque raramente gera denúncia espontânea. A instituição descobre o comprometimento pelo que a conta faz depois, não pelo relato de quem a perdeu.
As credenciais e os tokens capturados são cifrados com CryptoJS e enviados ao servidor do operador por requisição POST assíncrona [6]. A chave e o vetor de inicialização observados em campo são a cadeia literal 1234567890123456, reaproveitada tanto na versão de proxy reverso quanto na campanha de abril de 2026 [3] [6], o que a torna uma impressão digital útil para quem consiga inspecionar o conteúdo servido.
A Elastic Security Labs caracterizou o comportamento pós-captura, e ele é a melhor base de detecção disponível [7]. A sequência de login, validação de segundo fator, autorização de token e registro de dispositivo se completa em cerca de um segundo, tempo incompatível com operação humana.
Em seguida, o kit costuma emitir de 20 a 30 chamadas ao Microsoft Graph em 30 a 60 segundos, contra pontos de reconhecimento do locatário, e tenta registrar um dispositivo próprio, o que converte um roubo de sessão em persistência de longo prazo.
A campanha documentada pela eSentire entre 29 e 30 de abril de 2026 mantém a marca do Tycoon 2FA na entrega e na ofuscação, mas troca o coração da técnica [3]. Não há mais proxy reverso, nem página falsa de login. Há abuso do Device Authorization Grant, o fluxo do OAuth desenhado para autenticar aparelhos sem teclado, como televisores e impressoras.
O funcionamento inverte a lógica do phishing convencional:
microsoft.com/devicelogin;Como registra a análise, o ataque não contorna a autenticação multifator, ele muda o que a autenticação está autorizando [3]. A vítima não erra o endereço do site, porque o endereço está correto. Ela não digita a senha em lugar indevido, porque digita no lugar certo. Consente com um aplicativo, e é o consentimento que é roubado.
Por isso, treinamento de usuário para conferir a barra de endereços não protege contra esta variante. O controle que funciona é técnico e está em 10.4: bloquear o fluxo de código de dispositivo por política de acesso condicional para quem não precisa dele [11].
A eSentire descreve a entrega em quatro camadas antes da isca final, e documenta a infraestrutura do operador com precisão incomum [3]:
O aplicativo personificado é o Microsoft Authentication Broker, de identificador 29d9ed98-a469-4536-ade2-f981bc1d605e, e as operações de token partiram do AS45102 com agentes de usuário node e undici, ou seja, bibliotecas HTTP de servidor, jamais um navegador [3]. Cada amostra trazia carimbo de expiração embutido, com validade de aproximadamente um mês.
O 29d9ed98-a469-4536-ade2-f981bc1d605e é o identificador oficial de um aplicativo legítimo da Microsoft, usado por dispositivos gerenciados em operação normal. Ele não é indicador de comprometimento por si só, e bloqueá-lo quebra ingresso e conformidade de dispositivo em toda a instituição. O que caracteriza o abuso é a combinação desse identificador com agente de usuário de biblioteca de servidor e com autenticação por código de dispositivo em conta que nunca usou esse fluxo [3] [7].
A Microsoft nomeia educação entre os setores atingidos pelo Tycoon 2FA [2], e há razões estruturais para isso:
A demonstração mais direta desse risco não veio do Tycoon 2FA, e sim de uma campanha paralela documentada pela Infoblox em dezembro de 2025 [8]. Entre 12 de abril e pelo menos 16 de novembro de 2025, um mesmo ator atacou ao menos 18 universidades e entidades de ensino dos Estados Unidos, usando cerca de 67 domínios.
A ferramenta era o Evilginx, provavelmente na versão 3.0, um proxy reverso de AiTM de código aberto, com o mesmo resultado do Tycoon 2FA: roubo de credencial e de cookie de sessão, com o segundo fator relaiado [8]. Os elementos de infraestrutura foram estes:
Um dos subdomínios documentados foi shibbolethmainrit[.]fiuy[.]weddingsarahetemmanuel[.]com, construído para imitar shibboleth.main.ad.rit.edu, o provedor de identidade real de uma instituição alvo [8].
Shibboleth é exatamente a tecnologia sobre a qual a CAFe (Comunidade Acadêmica Federada) é construída [10]. O padrão de ataque é, portanto, transferível sem adaptação: basta trocar o nome do provedor de identidade imitado. Uma credencial CAFe roubada por AiTM entrega ao atacante todos os serviços federados que a instituição consome, e não apenas a caixa postal.
A ponte entre a campanha da referência [8] e o contexto da CAFe é inferência deste relatório, não afirmação da fonte. A Infoblox documentou instituições dos Estados Unidos e não trata de federação brasileira. Não existe, até a data de emissão, pesquisa pública documentando campanha de AiTM dirigida nominalmente à CAFe ou ao eduroam. Não cite este documento como evidência de que a CAFe foi atacada: o que ele sustenta é que a técnica se aplica à arquitetura, e que a ausência de relato público não deve ser lida como ausência de exposição.
A ordem abaixo vai do controle mais barato e abrangente ao mais caro e específico. A diferença em relação a um caso de malware residente é que aqui a fonte de maior valor não é a primeira da lista: os logs de autenticação, em 9.3 e 9.4, é que carregam a evidência decisiva, e o restante serve para achar a exposição e datar o incidente.
O valor aqui é retroativo. Procure nos logs arquivados os padrões estáveis do kit, sobretudo os nomes de arquivo PHP de entrega, que sobreviveram a várias trocas de domínio [5], e os nomes de recurso das versões antigas [1].
index=proxy (uri_path="*/res444.php" OR uri_path="*/cllascio.php"
OR uri_path="*/.000.php" OR uri_path="*/myscr*.js"
OR uri_path="*pages-godaddy.css" OR uri_path="*pages-okta.css")
| stats count, min(_time) AS primeiro, max(_time) AS ultimo,
values(url) AS urls BY src_ip, user
| sort - count
index=dns query_regex="\.(space|email|solutions|live|today|calendar)$"
| stats dc(query) AS nomes_distintos, count BY src_ip
| where nomes_distintos < 5
| sort - count
Os padrões acima e as regras de 9.2 casam com versões documentadas até 2025. A partir da versão de fevereiro de 2024, o kit passou a gerar nomes de recurso pseudoaleatórios e a carregá-los somente após o CAPTCHA ser resolvido, justamente para escapar de rastreadores de URL [1]. Não conclua ausência de exposição a partir de busca vazia por esses padrões. Use-os para confirmar e datar, nunca para descartar.
As duas regras abaixo cobrem marcadores de conteúdo publicados pela Sekoia [1] e seguem a sintaxe do Suricata. Elas são complementares ao conjunto Emerging Threats, que deve estar atualizado e não silenciado.
# Frase de espera do estagio de CAPTCHA das versoes com Turnstile
alert http $EXTERNAL_NET any -> $HOME_NET any (
msg:"CIBERLAB PHISHING AiTM Tycoon 2FA pagina de verificacao";
flow:established,to_client;
file.data;
content:"this page is running browser checks to ensure your security"; nocase;
classtype:credential-theft; priority:1;
sid:9000101; rev:1;
)
# Nome de recurso das versoes anteriores a fevereiro de 2024
alert http $HOME_NET any -> $EXTERNAL_NET any (
msg:"CIBERLAB PHISHING AiTM Tycoon 2FA requisicao a myscrNNNNNN.js";
flow:established,to_server;
http.uri; content:"/myscr"; nocase;
pcre:"/\/myscr\d{6}\.js$/Ui";
classtype:credential-theft; priority:1;
sid:9000102; rev:1;
)
É aqui que o ataque fica visível. A consulta a seguir implementa o marcador mais forte descrito pela Elastic e pela eSentire, que é a autenticação bem-sucedida com agente de usuário de biblioteca HTTP de servidor, algo que um usuário humano nunca produz [3] [7].
SigninLogs
| where ResultType == 0
| where UserAgent has_any ("node", "undici", "axios", "node-fetch")
| project TimeGenerated, UserPrincipalName, IPAddress,
AutonomousSystemNumber, AppId, AppDisplayName,
AuthenticationProtocol, IncomingTokenType, UserAgent
| order by TimeGenerated asc
SigninLogs
| where AuthenticationProtocol == "deviceCode" and ResultType == 0
| summarize Sucessos=count(), Enderecos=make_set(IPAddress),
Agentes=make_set(UserAgent), Primeira=min(TimeGenerated)
by UserPrincipalName, AppDisplayName
| order by Primeira desc
SigninLogs
| where ResultType == 0
| summarize Sistemas=dcount(AutonomousSystemNumber),
Enderecos=make_set(IPAddress), Agentes=make_set(UserAgent)
by UserPrincipalName, bin(TimeGenerated, 30m)
| where Sistemas >= 2
| order by Sistemas desc
O padrão que a Elastic aponta como decisivo é a separação em dois níveis: primeiro o relé do kit, saindo de hospedagem em nuvem com agente de usuário de servidor, e de dez a vinte minutos depois o operador humano, saindo de faixa residencial com um navegador único e fixo, sob a mesma conta [7]. Uma conta que exibe as duas assinaturas na mesma janela está comprometida.
Vencida a autenticação, os indicadores passam a ser de ritmo e de sequência, e não de origem [7]:
A API de relatórios do Google não traz agente de usuário e chega com atraso de cerca de três horas, e o campo que marca atividade suspeita frequentemente permanece falso diante da infraestrutura do kit [7]. Não construa a detecção do Workspace em cima desse campo, nem espere resposta em tempo real dessa fonte. Use a correlação de sistema autônomo, o deslocamento impossível e a rajada de registro de dispositivo, que independem dos dois defeitos.
A entrega descrita em 5.1 exige atenção a três classes de anexo que muitos filtros tratam como inofensivas [2]:
Em incidente de AiTM, revogue as sessões e os tokens de atualização antes de qualquer outra coisa. Trocar a senha primeiro é o erro mais comum e o mais caro, porque a sessão roubada sobrevive à troca e o atacante permanece dentro enquanto a equipe registra o chamado como resolvido (seção 03).
Este ataque não gera denúncia espontânea, porque a experiência do usuário é a de um login bem-sucedido (seção 06). O aviso à comunidade deve, portanto, abandonar o conselho genérico de desconfiar de e-mails e dizer o que é verificável: que a instituição nunca pede autenticação a partir de link encurtado, que um código exibido em página e digitado em outro lugar nunca faz parte de um acesso legítimo a serviço institucional, e que aprovar uma notificação de autenticação não solicitada deve ser reportado mesmo que o acesso pareça ter funcionado.
| Controle | Aplicação |
|---|---|
| Segundo fator resistente a phishing | Chaves de segurança e senhas-chave em FIDO2 ou WebAuthn. É o único controle que derrota o relé descrito na seção 03, porque a assinatura é vinculada ao domínio de origem e o navegador se recusa a produzi-la para o site do atacante. Comece por contas administrativas e por quem administra o provedor de identidade. |
| Bloqueio do fluxo de código de dispositivo | Política de acesso condicional que barra o Device Authorization Grant para a população geral, liberando-o apenas para cenários declarados de desenvolvimento e de ingresso de equipamento [11]. Neutraliza a variante da seção 07. |
| Vinculação de token | Proteção de token no acesso condicional, que amarra o token ao dispositivo que o obteve e torna inútil a reprodução do cookie roubado a partir de outra máquina [12]. |
| Exigência de dispositivo em conformidade | Acesso condicional que exige equipamento gerenciado e em conformidade para os serviços sensíveis. O relé do kit sai de hospedagem em nuvem e não satisfaz a condição. |
| Alerta de registro de dispositivo | Notificação para todo registro de dispositivo não gerenciado, tratado como evento de segurança e não como rotina de suporte. Fecha a persistência descrita na seção 06. |
| Triagem de anexo ativo | SVG, HTML e documentos com código QR inspecionados ou convertidos no gateway, e não liberados por serem imagem ou documento (seção 9.5). |
| Retenção de log de identidade | Logs de autenticação por 90 dias no mínimo. Sem histórico não há como medir há quanto tempo uma conta está comprometida, nem quais serviços federados foram alcançados. |
| Filtragem de DNS na borda | Response Policy Zones no resolvedor institucional, alimentadas por feeds de phishing. Vale como camada de atrito, não como defesa principal, pelo motivo exposto em 5.1. |
As técnicas abaixo derivam integralmente da literatura das seções 04 a 08, e não de observação própria. Os nomes seguem o catálogo oficial [9].
| Técnica | Nome | Relação com o caso |
|---|---|---|
| T1583.001 | Acquire Infrastructure: Domains | Registro em massa de domínios de vida curta em topos baratos (seção 5.1) |
| T1608.005 | Stage Capabilities: Link Target | Páginas hospedadas em serviços legítimos como Azure Blob, Firebase e Cloudflare Workers |
| T1566.002 | Phishing: Spearphishing Link | Isca por e-mail com link, código QR ou anexo SVG que redireciona (seção 5.1) |
| T1684.001 | Social Engineering: Impersonation | Réplica da tela de autenticação e imitação do provedor de identidade da instituição (seções 06 e 8.2) |
| T1204.001 | User Execution: Malicious Link | O ataque depende do clique e da autenticação voluntária da vítima |
| T1622 | Debugger Evasion | Detecção de depurador, de PhantomJS e de Burp Suite, com desvio para site benigno (seção 5.2) |
| T1027.013 | Obfuscated Files or Information: Encrypted/Encoded File | Base64 com LZ-string, XOR, AES por CryptoJS e binário em Unicode invisível (seção 5.2) |
| Técnica | Nome | Relação com o caso |
|---|---|---|
| T1557 | Adversary-in-the-Middle | Proxy reverso intermediando a sessão entre vítima e serviço legítimo (seção 03) |
| T1621 | Multi-Factor Authentication Request Generation | Desafio de segundo fator disparado pelo relé e aprovado de boa-fé pela vítima (seção 06) |
| T1539 | Steal Web Session Cookie | Captura do cookie de sessão emitido após o segundo fator, objetivo central do kit |
| T1528 | Steal Application Access Token | Tokens de acesso e de atualização obtidos por abuso do fluxo de código de dispositivo (seção 07) |
| T1550.004 | Use Alternate Authentication Material: Web Session Cookie | Reprodução da sessão roubada pelo operador, sem necessidade da senha |
| T1078.004 | Valid Accounts: Cloud Accounts | Acesso subsequente indistinguível de uso legítimo na telemetria de nuvem |
| T1098.005 | Account Manipulation: Device Registration | Registro de dispositivo não gerenciado logo após a autenticação, como persistência (seção 06) |
Nenhum domínio desta seção deve entrar em bloqueio prospectivo com expectativa de proteção. Todos são históricos, de campanhas encerradas, e a infraestrutura do kit gira em 24 a 72 horas (seção 5.1). Eles valem para caça retroativa em log arquivado, com um objetivo específico: descobrir se alguma estação da rede já esteve exposta, e em que data.
Os indicadores com valor prospectivo real são os de comportamento, na Tabela 6. Eles independem de domínio, de hash e de versão do kit.
| Tipo | Indicador | Severidade | Contexto e ação |
|---|---|---|---|
| Domínio | tycoongroup[.]ws | Alta | Infraestrutura central do kit [1]. Caça retroativa |
| Domínio | codecrafters[.]su codecrafterspro[.]com | Alta | Recursos centralizados do kit [1]. Caça retroativa |
| Domínio | 0q5e0.nemen9[.]com 25rw2.canweal[.]com 35fu2.ouchar[.]ru | Alta | Amostras de página de captura [1]. Caça retroativa |
| Domínio | fijothi[.]com shivacrio[.]com | Alta | Campanha de abril de 2026 [3]. Caça retroativa |
| IPv4 | 47.90.180.205 47.252.11.99 | Média | AS45102, operações de token [3]. Caça retroativa |
| ASN | AS19871 | Contexto | Hospedagem comum a Tycoon 2FA e Dadsec [5]. Correlacionar |
| Caminho | /res444.php /cllascio.php /.000.php | Média | Entrega em PHP, versões sucessivas [5]. Caça retroativa |
| Caminho | /myscr[0-9]{6}.js pages-godaddy.css pages-okta.css | Média | Recursos anteriores a fevereiro de 2024 [1]. Caça retroativa |
| Conteúdo | this page is running browser checks to ensure your security | Média | Estágio de CAPTCHA com Turnstile [1]. Assinatura de IDS |
| Carteira | 19NReVFKJsYYCCFLq1uNKYrUqQE2bB4Jwx | Contexto | Recebimento das assinaturas [1]. Contexto investigativo |
| Tipo | Indicador | Severidade | Contexto e ação |
|---|---|---|---|
| Agente | node undici axios/1.15.2 node-fetch/1.0 | Alta | Em autenticação bem-sucedida [3] [7]. Alertar imediatamente |
| Aplicativo | 29d9ed98-a469-4536-ade2-f981bc1d605e | Contexto | Microsoft Authentication Broker, legítimo [3]. Correlacionar |
| Chave | 1234567890123456 | Contexto | Chave e vetor de CryptoJS no conteúdo servido [3] [6]. Contexto |
| Serviço | get.geojs.io api.ipbase.com ipinfo.io | Contexto | Enriquecimento de origem para filtrar analistas [3] [6]. Correlacionar |
| Comportamento | Autenticação por deviceCode em conta sem histórico desse fluxo [3] | Alta | Abuso de Device Authorization Grant. Alertar imediatamente |
| Comportamento | Login, validação de MFA, token e registro de dispositivo em cerca de 1s [7] | Alta | Ritmo descolado de operação humana. Alertar imediatamente |
| Comportamento | Mesma conta autenticando de dois ASNs distintos em poucos minutos [7] | Alta | Transição do relé para operador humano. Alertar imediatamente |
| Comportamento | Registro de dispositivo não gerenciado imediatamente após autenticação [7] | Alta | Persistência em conta comprometida. Alertar imediatamente |
myscr[0-9]{6}.js, pages-godaddy.css e pages-okta.css.
https://www.sekoia.com/blog/tycoon-2fa-an-in-depth-analysis-of-the-latest-version-of-the-aitm-phishing-kit
fijothi[.]com e shivacrio[.]com, os endereços do operador no AS45102, os agentes de usuário node e undici e a orientação de bloqueio por acesso condicional. Sustenta a seção 07.
https://www.esentire.com/blog/tycoon-2fa-operators-adopt-oauth-device-code-phishing
res444.php para cllascio.php e .000.php, e o padrão de nomenclatura de domínio. Sustenta a subseção 4.2.
https://www.levelblue.com/blogs/spiderlabs-blog/phaas-the-secrets-the-hidden-ties-between-tycoon2fa-and-dadsecs-operations
Tycoon 2FA, relatório técnico de análise de artefato. Versão 2.0, emitida em 2 de setembro de 2026.
Lucas Rayan Guerra, CiberLab, uma iniciativa do Ciência Embarcada.
Classificado TLP:CLEAR: distribuição livre, sem restrição de compartilhamento.