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Relatório técnico de inteligência de ameaças

Da webshell ao root

A campanha que encadeou o PHP2Shell e o Fragnesia, CVE-2026-46300, contra firewalls expostos

Entre 8 e 24 de outubro de 2026, um operador de língua chinesa preparou e executou uma campanha contra interfaces de gerenciamento de firewalls PAN-OS expostas à internet. A entrada foi uma versão própria do exploit PHP2Shell, que dava execução de comandos com a conta sem privilégios do servidor web. A escalada foi o Fragnesia, uma falha do kernel Linux divulgada em maio, com exploit público, que escreve na cópia em memória de arquivos somente leitura: o operador reescreveu a configuração do su para aceitar qualquer senha e virou root. Vinte e quatro firewalls foram comprometidos em lote; em dois deles, ligados a um ambiente afiliado ao governo dos Estados Unidos, o operador abriu túneis, invadiu o servidor de gerenciamento interno e atacou o Active Directory. Uma falha de kernel de cinco meses, sem correção nos appliances, transformou uma execução limitada em controle total.

Objeto analisado Campanha PHP2Shell e Fragnesia
Severidade avaliada Crítica
Classificação TLP:CLEAR
Base de evidência OSINT verificado
Data de emissão 2 de novembro de 2026
Versão 1.0

00Sumário

  1. 01Sumário executivo
  2. 02Identificação do objeto analisado
  3. 03Contexto técnico: Fragnesia e o cache de páginas
  4. 04Cadeia de ataque
  5. 05Pós-exploração e movimento lateral
  6. 06Atribuição e o papel da inteligência artificial
  7. 07Detecção
  8. 08Mitigação e resposta a incidentes
  9. 09Indicadores de comprometimento
  10. 10Limitações da análise
  11. 11Referências
Achado central

O PHP2Shell (CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619) deu ao operador execução de comandos como nobody no servidor web de gerenciamento dos firewalls; o Fragnesia (CVE-2026-46300) transformou essa execução em root ao sobrescrever /etc/pam.d/su na memória com pam_permit.so, o que faz su root aceitar qualquer senha [1] [4]. A cadeia completa, de uma conexão HTTPS sem autenticação a uma webshell persistente com root, levava menos de 15 minutos [1] [6]. Como a escrita do Fragnesia acontece no cache de páginas, e não no disco, um reinício apaga a alteração e a evidência dela [3] [4]. Faça a triagem forense antes de reiniciar.

01Sumário executivo

Em 25 de outubro de 2026, pesquisadores da Dream encontraram artefatos de uma campanha que comprometeu 25 servidores nos Estados Unidos, no Japão, em Taiwan e na Coreia do Sul: 24 firewalls e um servidor interno de gerenciamento de firewalls [1] [6]. Os artefatos incluíam o exploit, listas de alvos, registros de exploração e cerca de 40 scripts de pós-exploração [1] [5]. A Unit 42, da Palo Alto Networks, confirmou de forma independente as ferramentas e os resultados e rastreia a atividade como CL-UNK-1280 [1] [2].

25 servidores com root: 24 firewalls e 1 servidor de gerenciamento [1] [6]
< 15 min da conexão HTTPS sem autenticação à webshell com root [1] [6]
3 servidores comprometidos num ambiente afiliado ao governo dos EUA [1] [5]
5 meses entre a divulgação do Fragnesia com exploit público (maio) e o seu uso na campanha [3] [4]

A campanha seguiu um funil: cerca de 19.000 firewalls encontrados no buscador FOFA, cerca de 5.000 que responderam à identificação de versão e 240 alvos filtrados por país e versão vulnerável [1] [6]. A exploração em lote comprometeu 24 firewalls; 22 ficaram "estacionados", com webshell e sem outra ação, e dois foram priorizados [1]. Num deles, o operador abriu um túnel SSH reverso para a rede interna, comprometeu o servidor de gerenciamento com a mesma cadeia menos de 90 minutos depois e partiu para o Active Directory [1].

A CISA incluiu o Fragnesia no catálogo KEV em 28 de outubro, com prazo de 31 de outubro e exigência de triagem forense, e afirmou que a falha "pode ser encadeada com a CVE-2026-109618 e a CVE-2026-109619 para implantar webshells PHP e executar comandos como root" [4] [5].

As ações são três: atualize o PHP e o kernel, ou o firmware dos appliances que os embutem; tire interfaces de gerenciamento da internet; e, em qualquer equipamento que tenha ficado exposto, faça triagem forense antes de reiniciar, porque o reinício apaga a principal evidência da escalada [1] [3] [4].

02Identificação do objeto analisado

Natureza da evidência

Não houve submissão a sandbox, execução de exploit nem análise de amostra. O CiberLab não teve acesso aos artefatos recuperados. A descrição da campanha vem da pesquisa da Dream [1], confirmada pela Unit 42 [2] e coberta pela imprensa especializada [5] [6]; a mecânica do Fragnesia, da Tenable [3] e da HOL [4]. O PHP2Shell é descrito em detalhe no relatório PHP2Shell do CiberLab.

Tabela 1. Ficha da campanha
CampoValor
DesignaçãoCL-UNK-1280 (Unit 42); a Dream não nomeia um ator [1]
Atribuição provávelOperador de língua chinesa, fuso UTC+8 [1] [6]
PeríodoPreparação de 8 a 22 de outubro; exploração em 23 e 24 de outubro de 2026 [1]
AlvosInterfaces de gerenciamento de firewalls PAN-OS expostas à internet [1] [2]
PaísesEstados Unidos, Japão, Taiwan e Coreia do Sul [1] [6]
Versões perfiladasPAN-OS 11.1 (PHP 7.4.33) e PAN-OS 12.1 e 12.2 (PHP 8.0.30) [1]
Fração afetadaCerca de 0,02% da base instalada, contatada individualmente pela Palo Alto Networks [2]
DescobertaDream, 25 de outubro de 2026; pesquisa publicada em 27 e atualizada em 29 de outubro [1] [4]
Tabela 2. Vulnerabilidades encadeadas
EtapaCVENaturezaPontuação
Acesso inicialCVE-2026-109618, CVE-2026-109619Execução remota sem autenticação no núcleo do PHP [7]9.2 em CVSS v4 [7]
EscaladaCVE-2026-46300 (Fragnesia)Escalada local de privilégio no subsistema XFRM ESP-in-TCP do kernel Linux [3]7.8 em CVSS 3, estimado [3]

03Contexto técnico: Fragnesia e o cache de páginas

3.1O cache de páginas

Quando um programa lê um arquivo, o kernel Linux guarda o conteúdo em memória, no cache de páginas, para que as próximas leituras não precisem ir ao disco [3] [4]. Todo processo que abre o mesmo arquivo vê essa cópia em memória. Se alguém consegue escrever nela, muda o que o sistema enxerga como conteúdo do arquivo, mesmo que o arquivo seja somente leitura e o disco continue intacto [3] [4].

3.2A falha

O Fragnesia foi divulgado em 13 de maio de 2026 por William Bowling, da V12 Security, com prova de conceito pública e correção no kernel [3]. Quando a função skb_try_coalesce() junta fragmentos de pacotes de rede, ela deixa de propagar a marca SKBFL_SHARED_FRAG, que indica páginas compartilhadas com outros subsistemas [3] [4]. Sem a marca, páginas que pertencem ao cache de arquivos passam a ser tratadas como graváveis. O caminho ESP-in-TCP do IPsec então decifra esses fragmentos no lugar, e grava sobre o cache de um arquivo somente leitura os bytes do fluxo de cifra AES-GCM que o atacante escolheu, 192 bytes por vez [3] [4].

A exploração não depende de corrida [3]. Exige acesso local sem privilégio e usa namespaces de usuário e de rede, ligados por padrão na maioria das distribuições, para obter CAP_NET_ADMIN sem privilégio no host; exige também que os módulos ESP estejam disponíveis [3]. A prova de conceito pública reescreve /usr/bin/su em memória [3] [4].

3.3A família Dirty Frag

O Fragnesia pertence à mesma classe do Dirty Frag (CVE-2026-43284 e CVE-2026-43500), que também escreve no cache de páginas pelo caminho XFRM e ESP, com outro ponto de entrada [3] [5]. As correções do Dirty Frag não corrigem o Fragnesia; quem só aplicou aqueles patches continua vulnerável, enquanto quem bloqueou os módulos esp4, esp6 e rxrpc para o Dirty Frag já está protegido [3] [4].

Tabela 3. Versões estáveis do kernel com a correção do Fragnesia
RamoPrimeira versão corrigida
7.07.0.10 [4]
6.186.18.33 [4]
6.126.12.91 [4]
6.66.6.141 [4]
6.16.1.174 [4]
5.155.15.208 [4]

A correção é o commit f84eca581739, "net: skbuff: preserve shared-frag marker during coalescing", integrado em 21 de maio [4]. Ubuntu 20.04 e anteriores com kernel padrão não são afetados, e o Amazon Linux também não, porque não traz o módulo espintcp [3] [4].

04Cadeia de ataque

4.1Linha do tempo

Tabela 4. Linha do tempo da campanha em 2026, em UTC
DataEvento
13 de maioDivulgação do Fragnesia, com exploit público e CVE [3]
8 de outubroInício da preparação da operação [1]
8 a 22 de outubroDesenvolvimento do exploit, perfilamento de versões em laboratório e varredura dos alvos [1]
21 de outubroO projeto PHP publica as correções do PHP2Shell [7]
23 de outubro, 18h14Primeiro firewall afiliado ao governo dos EUA comprometido no lote automático; ele cai pouco depois e não volta. O operador faz 240 sondagens em duas horas [1]
24 de outubro, 10h09Segundo firewall da mesma organização comprometido em campanha dedicada [1]
24 de outubroTúnel SSH reverso e proxy SOCKS5 abertos para a rede interna [1]
24 de outubro, 11h35Servidor interno de gerenciamento de firewalls comprometido pelo túnel; total chega a 25 [1]
24 de outubro, depoisAtaque ao Active Directory a partir do servidor de gerenciamento [1]
25 de outubroA Dream encontra os artefatos [1] [6]
28 de outubroCISA inclui a CVE-2026-46300 no KEV [4] [5]
29 de outubroA Dream atualiza a pesquisa após colaborar com a Palo Alto Networks; a Unit 42 publica a confirmação [1] [2]

4.2Reconhecimento e seleção

O operador usou o FOFA, um buscador chinês de ativos expostos na internet, para encontrar cerca de 19.000 dispositivos PAN-OS [1]. Um varredor próprio com 200 threads identificou cerca de 5.000 dispositivos ativos e suas versões, e um filtro por país e versão vulnerável reduziu a lista a 240 alvos [1] [6].

4.3Acesso inicial: PHP2Shell

A versão do exploit era própria e não pública, e mirava o mecanismo session.upload_progress do servidor web de gerenciamento do firewall, o appweb [1] [6]. Ela tinha quatro estágios [6]:

  1. Requisições multipart construídas para esgotar a memória e moldar o alocador do PHP.
  2. Um vazamento de informação expunha, no cabeçalho Set-Cookie, um ponteiro da libphp.so, usado para calcular endereços.
  3. Nova pressão de memória criava uma referência obsoleta; uma entrada forjada de tabela de dispersão desviava uma rotina de limpeza para system().
  4. O comando rodava como nobody, e a última requisição disparava o Fragnesia.

4.4Escalada: Fragnesia

Com a escrita no cache de páginas, o operador sobrescreveu /etc/pam.d/su para usar pam_permit.so, o módulo PAM que aprova qualquer autenticação, e passou a obter root com su sem senha [1] [4]. O exploit público funciona em kernels anteriores a 13 de maio de 2026 [5]; o sucesso da escalada em 25 equipamentos indica, por inferência, que eles rodavam kernel sem a correção.

4.5Exploração em lote e triagem

Um executor em lote atacava cinco alvos por vez, com 30 minutos de limite por alvo; cada sucesso recebia uma webshell, uma verificação de root com id e uma linha no registro [1]. Foram 24 firewalls com root e webshells PHP de 103 bytes [1] [6]. O operador deixou 22 deles parados e se concentrou em dois, ligados por dados de certificado à mesma organização afiliada ao governo dos EUA [1].

Por que a correção de maio importava em outubro

O PHP2Shell sozinho dava ao operador a conta nobody, sem acesso a chaves, configurações protegidas nem ao sistema. O que transformou a campanha em comprometimento total foi uma falha de kernel corrigida cinco meses antes [3] [4]. Appliances que embutem Linux recebem o kernel junto com o firmware do fabricante; se o firmware atrasa, a correção pública não chega ao equipamento. Trate escaladas locais com exploit público como urgentes também em appliances, e não só em servidores com usuários.

05Pós-exploração e movimento lateral

5.1Persistência e túnel

No firewall priorizado, o operador montou um túnel SSH reverso de oito portas até a sua infraestrutura, com um serviço systemd e um gancho em rc.local que sobrevivem a reinícios e reconectam sozinhos [1]. Os scripts do túnel ficavam em /usr/local/lib/.panops/ [1]. O túnel encaminhava acesso aos controladores de domínio (LDAP, LDAPS e RDP), ao servidor interno de gerenciamento, à infraestrutura de VPN GlobalProtect e a um proxy SOCKS5 [1]. A partir do servidor de gerenciamento, o operador atacou o Active Directory; a tabela 5 separa o que a Dream confirmou do que não pôde determinar [1].

5.2Credenciais e Active Directory

Tabela 5. Atividade contra o Active Directory
AtividadeSituação
Decifração da senha da conta de serviço LDAP com a chave mestra do dispositivo, guardada em texto claro nos scriptsConfirmada [1]
Enumeração completa de usuários e grupos do domínioConfirmada [1]
Análise de caminhos de ataque por ACLConfirmada [1]
Tentativa de extração da chave de assinatura SAML e sondagem de desvio de autenticação no KeycloakTentativa confirmada, resultado desconhecido [1]
Pulverização de senhas, num domínio sem bloqueio de contaDesconhecido [1]
Criação de usuário de porta dos fundos, tentada em todas as OUsDesconhecido [1]
Criação de conta de máquina pela cota padrão MachineAccountQuotaDesconhecido [1]

O operador também coletou do sistema de arquivos dos firewalls as chaves de replicação de alta disponibilidade, as chaves privadas TLS e as chaves de autenticação do dispositivo; o provedor SAML estava configurado com validate-idp-certificate: no [1].

Desconhecido não é descartado

A Dream não sabe se a pulverização de senhas, a criação de contas ou a extração da chave SAML deram certo [1]. Uma organização que encontre sinais desta campanha não deve concluir que o domínio está íntegro por falta de prova do contrário: audite contas, cotas de máquina e chaves SAML como se essas ações tivessem tido sucesso.

06Atribuição e o papel da inteligência artificial

Os indícios de origem são prompts em chinês, carimbos de tempo em UTC+8, acesso ao FOFA com chaves de API e os modelos DeepSeek e Kimi configurados na infraestrutura do operador [1] [6]. A Dream não atribui a operação a um ator nomeado [1] [6].

Na infraestrutura de ataque havia ferramentas de IA: a plataforma ofensiva aiscan, configurada com DeepSeek e Kimi, e o Claude Code [1]. A Dream considera provável que a pós-exploração tenha sido assistida por IA, pela consistência dos scripts, mas declara não ter evidência direta de que IA escreveu o exploit ou os scripts e não descreve a operação como autônoma [1] [6]. A ferramenta de túnel iox, de origem chinesa, completava o conjunto [1].

Retratação de 25 de outubro

Em 23 de outubro, a Unit 42 publicou uma atualização sobre atividade pós-exploração com IA agêntica ligada ao PHP2Shell, e a retirou em 25 de outubro por não conseguir confirmar a ligação do acesso inicial com as CVEs [2]. Esse episódio não se refere à campanha da Dream. Não misture as duas ao citar o envolvimento de IA.

07Detecção

A ordem vai do mais barato e abrangente ao mais caro e específico: rede, registros web, arquivos no equipamento e, por fim, identidade.

7.1Rede

Procure sessões SSH de saída persistentes a partir de firewalls e portas encaminhadas para LDAP, RDP e serviços de gerenciamento internos [1]. Um firewall não tem motivo para abrir SSH de saída para a internet.

7.2Registros web

Revise os registros da interface de gerenciamento em busca de rajadas de POST multipart com nomes de arquivo muito grandes e campos de progresso de sessão, e de valores anormais de Set-Cookie [1]. Os sinais detalhados do PHP2Shell estão na seção 7 do relatório PHP2Shell.

7.3Arquivos no equipamento

As verificações abaixo cobrem os artefatos documentados pela Dream [1] [4]. Rode antes de qualquer reinício:

ShellDerivado de [1] [4], não validado em appliance
# Webshell da campanha e PHP inesperado em diretorios publicos
ls -la /unauth/php/change_password.php
find / -xdev -name '*.php' -newermt '2026-10-08' 2>/dev/null

# PAM reescrito em memoria: compare o que o sistema le
# com o que esta no disco (o cache some no reinicio)
grep -n pam_permit /etc/pam.d/su

# Persistencia do tunel
ls -la /usr/local/lib/.panops/
systemctl list-unit-files --state=enabled
cat /etc/rc.local

Qualquer entrada pam_permit em /etc/pam.d/su é sinal de alerta [1]. Como o Fragnesia altera só o cache, o arquivo pode parecer normal depois de um reinício ou de uma limpeza do cache; registre o conteúdo lido antes [4].

7.4Identidade

Revise os registros do firewall e do servidor de gerenciamento em busca de grande volume de consultas LDAP e de falhas de login em muitas contas, padrão de pulverização [1]. No Active Directory, procure usuários e contas de máquina criados a partir de 24 de outubro.

7.5Regra Sigma para o PAM

Sigma, categoria file_event, LinuxDerivada de [1] [4], não validada em produção
title: Configuracao PAM do su apontando para pam_permit
id: 9b1e4c77-2f3a-4d58-8e06-6a2c5d0f13b4
status: experimental
description: Alteracao de /etc/pam.d/su usada na escalada do Fragnesia
    (CVE-2026-46300) apos o PHP2Shell
author: CiberLab (Ciência Embarcada)
references:
    - https://dreamgroup.com/blog/chained-php2shell-exploit-roots-25-servers
logsource:
    product: linux
    category: file_event
detection:
    selection:
        TargetFilename: '/etc/pam.d/su'
    condition: selection
falsepositives:
    - Atualizacao legitima de pacotes PAM
level: high
tags:
    - attack.persistence
    - attack.t1556.003
    - cve.2026-46300

Esta regra só vê alterações gravadas pelo caminho normal de arquivos. A escrita do Fragnesia no cache de páginas não passa por esse caminho e pode não gerar o evento; trate a regra como cobertura para variantes que gravem em disco, e não como detecção do Fragnesia [3] [4].

08Mitigação e resposta a incidentes

8.1Contenção

Tire da internet as interfaces de gerenciamento do PAN-OS e os portais GlobalProtect onde for possível, e restrinja o acesso de gerenciamento a IPs internos confiáveis [1] [2]. Bloqueie SSH de saída a partir dos firewalls.

8.2Erradicação

Aplique as versões corrigidas do PAN-OS para o seu ramo, conforme o aviso do fabricante, que interrompem a cadeia observada [2]. Em servidores Linux comuns, atualize o PHP e o kernel; se o kernel não puder ser atualizado já, bloqueie os módulos esp4, esp6 e rxrpc, o que pode quebrar IPsec ou AFS no host [3]:

ShellTranscrito de [3]
rmmod esp4 esp6 rxrpc
printf 'install esp4 /bin/false\ninstall esp6 /bin/false\ninstall rxrpc /bin/false\n' \
  > /etc/modprobe.d/dirtyfrag.conf

Trate o servidor de gerenciamento e todo firewall com webshell como comprometidos, e reconstrua a partir de imagens confiáveis [1].

8.3Avaliação de alcance e identidade

  1. Gire a senha da conta de serviço LDAP, a chave mestra do dispositivo e todos os certificados e chaves de alta disponibilidade guardados nos equipamentos afetados [1].
  2. Audite o Active Directory em busca de contas de usuário e de máquina não autorizadas, sobretudo de máquina [1].
  3. Defina ms-DS-MachineAccountQuota como 0 e aplique política de bloqueio de conta [1].
  4. Ligue a validação do certificado do provedor de identidade SAML e revise o Keycloak quanto a desvio de autenticação [1].
Não reinicie antes da triagem

O reinício limpa o cache de páginas e, com ele, a alteração do PAM feita pelo Fragnesia [3] [4]. A CISA exige triagem forense para esta CVE [4]. Colete o conteúdo de /etc/pam.d/su, a lista de processos, as conexões e os arquivos da seção 7.3 antes de reiniciar ou atualizar o equipamento.

8.4Mapeamento de técnicas MITRE ATT&CK

IDs e nomes conferidos na base oficial do MITRE ATT&CK for Enterprise [8]; o mapeamento é do CiberLab, a partir das evidências descritas em [1]:

Tabela 6. Mapeamento de táticas e técnicas conforme MITRE ATT&CK
TécnicaNomeRelação com o caso
T1596.005Search Open Technical Databases: Scan DatabasesDescoberta de cerca de 19.000 dispositivos no FOFA [1]
T1595.002Active Scanning: Vulnerability ScanningIdentificação de versão com varredor de 200 threads [1]
T1190Exploit Public-Facing ApplicationPHP2Shell na interface de gerenciamento [1] [2]
T1059.004Command and Scripting Interpreter: Unix ShellComandos via system() como nobody [6]
T1068Exploitation for Privilege EscalationFragnesia para chegar a root [1] [4]
T1556.003Modify Authentication Process: Pluggable Authentication Modules/etc/pam.d/su reescrito com pam_permit.so [1] [4]
T1505.003Server Software Component: Web ShellWebshells PHP de 103 bytes [1] [6]
T1543.002Create or Modify System Process: Systemd ServiceServiço que mantém o túnel [1]
T1037.004Boot or Logon Initialization Scripts: RC ScriptsGancho em rc.local [1]
T1572Protocol TunnelingTúnel SSH reverso de oito portas [1]
T1090ProxyProxy SOCKS5 para a rede interna [1]
T1552.001Unsecured Credentials: Credentials In FilesSenha LDAP decifrada da configuração [1]
T1552.004Unsecured Credentials: Private KeysChaves TLS, de alta disponibilidade e do dispositivo [1]
T1087.002Account Discovery: Domain AccountEnumeração completa de usuários e grupos [1]
T1110.003Brute Force: Password SprayingPulverização tentada, resultado desconhecido [1]
T1136.002Create Account: Domain AccountCriação de contas tentada, resultado desconhecido [1]
T1606.002Forge Web Credentials: SAML TokensTentativa de extrair a chave de assinatura SAML [1]

09Indicadores de comprometimento

A Dream não publicou IPs, domínios ou hashes e remete os indicadores de rede à Unit 42, que também não os lista publicamente [1] [2]. Os indicadores abaixo são caminhos de arquivo, artefatos e comportamentos documentados:

Tabela 7. Indicadores de comprometimento e artefatos de detecção
TipoIndicadorSeveridadeContexto e ação
Arquivo /unauth/php/change_password.php Crítica Webshell PHP de 103 bytes com root, em diretório público [1].
Arquivo /etc/pam.d/su com pam_permit.so Crítica Escalada pelo Fragnesia; colete antes de reiniciar [1] [4].
Diretório /usr/local/lib/.panops/ Crítica Scripts do túnel, chamados por systemd e rc.local [1].
Ferramenta iox Alta Utilitário de túnel usado pelo operador [1].
Rede SSH de saída persistente a partir do firewall Crítica Túnel reverso de oito portas para a infraestrutura do operador [1].
Configuração validate-idp-certificate: no Média Validação SAML desligada, explorável para forjar asserções [1].

10Limitações da análise

  1. Ausência de detonação: o CiberLab não analisou os artefatos recuperados nem executou os exploits. Toda a descrição da campanha vem da Dream [1], com confirmação da Unit 42 [2].
  2. Sem indicadores de rede públicos: nenhuma fonte acessível publicou IPs, domínios ou hashes. A tabela 7 não serve como lista de bloqueio.
  3. Divergência sobre o fabricante: uma cobertura registrou o nome do fabricante retido [6]; a pesquisa atualizada nomeia o PAN-OS [1], e este relatório a segue.
  4. Resultado no Active Directory em aberto: a Dream não sabe se a pulverização, a criação de contas e a extração SAML tiveram sucesso [1].
  5. Regras e comandos derivados: a regra Sigma e os comandos da seção 7 não foram testados em appliance.
  6. Mapeamento ATT&CK próprio: a tabela 6 é leitura do CiberLab, e não da fonte.

11Referências

  1. [1] Chained PHP2Shell Exploit Roots 25 Servers. Dream, pesquisa de 27 de outubro de 2026, atualizada em 29 de outubro. Fonte primária da campanha: artefatos, cronologia, estágios, persistência, atividade no Active Directory e atribuição. https://dreamgroup.com/blog/chained-php2shell-exploit-roots-25-servers
  2. [2] Threat Brief: Critical Vulnerabilities in PHP: CVE-2026-109618, CVE-2026-109619. Unit 42, Palo Alto Networks, atualizado em 29 de outubro de 2026. Confirmação independente, fração afetada da base instalada, retratação de 25 de outubro e orientação para o PAN-OS. https://unit42.paloaltonetworks.com/cve-2026-109618-cve-2026-109619/
  3. [3] CVE-2026-46300 (Fragnesia): Linux Kernel ESP-in-TCP LPE FAQ. Tenable, maio de 2026. Causa raiz, descobridor, pré-requisitos, relação com o Dirty Frag e bloqueio de módulos. https://www.tenable.com/blog/fragnesia-cve-2026-46300-faq-about-new-linux-kernel-xfrm-esp-in-tcp-priv-esc
  4. [4] Fragnesia (CVE-2026-46300): a Linux kernel bug that rewrites read-only files in memory. HOL, 28 de outubro de 2026. Commit e versões corrigidas, escrita no cache de páginas, uso na cadeia, inclusão no KEV e prazo. https://hol.org/guard/security/campaigns/cve-2026-46300-fragnesia-linux-kernel-cisa-kev-root
  5. [5] CISA warns of Fragnesia Linux flaw chained in PHP2Shell attacks. BleepingComputer, 29 de outubro de 2026. Declaração da CISA, inclusão no KEV e resumo da pesquisa da Dream. https://www.bleepingcomputer.com/news/security/cisa-warns-of-fragnesia-linux-flaw-chained-in-php2shell-attacks/
  6. [6] Hackers Exploit PHP2Shell Vulnerabilities to Gain Root Access on 25 Firewall Servers. GBHackers, 29 de outubro de 2026. Estágios do exploit, funil de alvos, tamanho da webshell e indícios de atribuição. https://gbhackers.com/hackers-exploit-php2shell-vulnerabilities/
  7. [7] RCE via OOM corruption (GHSA-w8hw-w9fx-j79w, CVE-2026-109618). Projeto PHP, 21 de outubro de 2026. Pontuação, versões e data da correção do PHP2Shell. https://github.com/php/php-src/security/advisories/GHSA-w8hw-w9fx-j79w
  8. [8] MITRE ATT&CK Enterprise. The MITRE Corporation. Fonte dos IDs e nomes de técnica da tabela 6, conferidos em 2 de novembro de 2026. https://attack.mitre.org/

Da webshell ao root, a campanha PHP2Shell e Fragnesia. Relatório técnico de inteligência de ameaças, versão 1.0, emitido em 2 de novembro de 2026.
CiberLab, uma iniciativa do Ciência Embarcada.
Classificado TLP:CLEAR: distribuição livre, sem restrição de compartilhamento.